Olá, Poderosas!

Abaixo segue mais um post sobre o comportamento humano e atitudes que podemos tomar para nos libertar de algumas amarras e ter a chance de recomeçar!

Abaixo seguem alguns posts que nos fazem refletir sobre nossa vida e nossas atitudes:

Mudando a Maneira de Pensar – Pensamento Positivo

Mudando a Maneira de Pensar: Meditação

Mudando a Maneira de Pensar: Contemplação

Como controlar nossos vícios, quando eles querem controlar nossas vidas?

Mudando a Maneira de Pensar – Em Busca da Felicidade

Então, procurando fechar este ciclo de postagens extraídas do livro: “A Pousada de Elói”, relativas à história dos ex-sócios e amigos José Carlos e Paulo Marcos onde, algumas semanas atrás, já havíamos postado dois textos, a saber:

1) “Em Busca da Verdade da Vida – Como nascem alguns ressentimentos?” (fls 25 a 41).

2) “Em Busca do Perdão – Quando compreendemos que enveredamos por um caminho errado.” (fls. 104 a 114).

Vamos agora complementar com o texto abaixo, que se encontra transcrito nas fls. 260 a 266 da referida obra. Para uma melhor compreensão da história, recomendamos que o(a) leitor(a) recorra aos dois textos citados acima que também se encontram nas páginas deste querido “Blog Mais Poderosa”.

Lembramos novamente, da mesma forma que dissemos antes, que as imagens incorporadas neste texto não fazem parte do livro e foram incluídas apenas para atenuar a leitura. Estes contos, como havíamos dito antes, aconteceram em uma propriedade rural, no interior de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro.

Esperamos que todos tenham uma boa leitura:

“Um novo encontro: o empresário e seu ex-amigo que havia lhe dado um duro golpe”.

Assim como vários dos participantes fizeram, o belo-horizontino, Paulo Marcos, que anteriormente tinha sido o maior amigo de seu conterrâneo, José Carlos e, inclusive, havia sido seu sócio em uma firma em BH, empresa esta em que havia dado um grande desfalque algum tempo atrás, aproveitou o intervalo do café para se sentar e descansar em um banco disposto debaixo de uma pérgula de concreto, onde havia se alastrado um enorme pé de maracujá, formando um bonito caramanchão, propiciando uma ótima sombra para as pessoas que ali estivessem.

O jovem havia envelhecido muito desde o ocorrido – aparentando uma imagem desgastada, deprimente, de uma pessoa que tivesse, no mínimo, uns quinze anos a mais do que tinha realmente -, sentindo-se pressionado por todos os lados, seja pela família, pelos amigos, dentre outros, e principalmente por sua consciência, que o atormentava dia e noite.

Estar ali, naquele local, ouvindo os passarinhos, o coaxar das rãs e sapos, o colorido dos céus, das flores e das borboletas, remetia-o a um passado distante, diferente, tranquilo, feliz. Sentia-se novamente como um menino.

Estava sozinho no banco e, de repente, não pode conter a emoção. Levou as mãos ao rosto e chorou copiosamente. Depois do acontecimento que já havíamos narrado anteriormente, havia chorado inúmeras vezes. Todavia, desta vez, as lágrimas inundaram o seu rosto. Como uma catarse1, os sentimentos reprimidos desaguaram, como um rio no oceano, trazendo alívio à sua alma.

De repente, debaixo daquela sombra generosa, colorida e aromatizada pelas flores do maracujá – fruto da paixão2, como muitos o conhecem – percebeu que se sentara uma pessoa ao seu lado, no banco.

Abriu os olhos e olhou: era ele, seu ex-amigo, José Carlos.

Uma espessa atmosfera de silêncio envolveu os dois homens. Embora se pudesse ouvir – ainda que levemente – o barulho do regato que passava próximo dali e a algazarra de patos, gansos e marrecos que estavam se deliciando com a ração que o Seu Mino havia jogado no lago, o fato é que parecia que o tempo havia parado por alguns momentos.

Algumas borboletas e beija-flores multicoloridos se lambuzavam no néctar adocicado das flores roxas do pé de maracujá, espalhado na pérgula acima dos dois homens.

O homem sofrido olhou para aquele a quem traíra, com os olhos de quem esperava, com ansiedade, um dia, o perdão. E esse perdão veio, com o abraço apertado e demorado do amigo de tantos anos.

Os dois homens, ali, juntos àquele ambiente que traduzia um pouco da espetacular magia do Criador – que se espalha por todos os cantos e, muitas vezes, não a vemos -, abraçados, choravam como crianças. E esse choro dissolvia os ressentimentos, as mágoas, e traduzia-se naquele sentimento de perdão esperado por um, generosamente dado pelo outro, transformando em atos, em ação, o que significa a palavra amor – que cicatriza as feridas, tonifica o espírito, restabelece a harmonia da alma e do corpo, rejuvenesce todo o ser.

Enfim, a bênção, a dádiva havia chegado!

Os ensinamentos de grandes mestres, como Jesus, deixaram de ser apenas textos, palavras. Transformavam-se em realidade.

Paulo Marcos explicou ao amigo que seu advogado havia feito um acordo na Justiça e ele estava pagando parcelado o valor do desfalque que havia dado na empresa, visto que agora estava trabalhando e as coisas estavam, aos poucos, melhorando. Disse que chegou a ser preso por esse crime e alguns outros, ainda que menores, que havia cometido. Tinha pago a dívida com a Justiça e pecuniariamente estava devolvendo o que havia desviado da firma. Restava apenas conseguir o perdão do amigo. E este falou:

– Você errou. E, gravemente, meu amigo. Todos nós nos angustiamos e sofremos muito com isso durante muito tempo. Quando recebemos um golpe de uma pessoa, ele parece muito maior quando parte de alguém no qual confiamos: de um conhecido, de um amigo, por exemplo. Agora isso é passado. Você pagou por isso, mais ainda, você se arrependeu, modificou-se. Teve a força e a coragem para mudar. Muitas pessoas, quando erram, não reconhecem seus erros, não se arrependem, não se transformam, não mudam. Continuam errando. Reconhecer o erro e mudar para não errar mais é um grande ato de coragem; e você foi capaz disso.

Parou de falar por um momento, depois continuou:

– Depois do ocorrido, tenho procurado acompanhar o seu caso, meu amigo. Soube, por algumas fontes de informações, que você, já há um tempo, havia se arrependido e estava tentando corrigir os seus erros. Antes, eu havia me desencantado com as pessoas, mas a minha vinda até este local, uns tempos atrás, fez com que eu refletisse sobre tudo isso. Foi muito bom. Este local, este ambiente, este contato mais íntimo com a natureza em todo o seu esplendor agiram como uma esponja, absorvendo minhas dores e ressentimentos. Há um bom tempo eu já o perdoei, meu amigo. A empresa voltou a crescer, estamos indo bem. Agora vamos mudar de assunto. E como estão os seus pais, seus dois filhos e sua ex-mulher? – perguntou José Carlos.

– Graças a Deus estão todos muito bem. Meu pai, que havia sofrido um AVC depois do ocorrido, restabeleceu-se completamente. Apesar de tudo o que eu fiz, Deus não me abandonou. Agradeço dia e noite por tudo isso – respondeu Paulo Marcos.

– Quando nós nos transformamos, tudo em nossa volta também se transforma. Você teve coragem para fazer essa mudança. Agora é um exemplo para todos nós, de superação, de força de vontade. E sua ex-esposa, casou-se novamente?

– Não, José Carlos. Ela é uma grande guerreira. Durante todo esse tempo ela tem segurado com mãos firmes a nossa família, criando com força e coragem nossos filhos.

– Você a admira muito, não é meu amigo? Por que não a procura e também lhe pede perdão?

– Tenho pensado muito nisso. Será que o coração dela pode ser tão grande assim, meu amigo?

– Quem sabe? Você mudou, transformou-se. Agora é outra pessoa. Mas isso só ela e o tempo poderão dizer. Estou torcendo por isso.

– Obrigado, José Carlos, de coração.

– Venha, meu amigo, vamos. Da. Zulmira já está chamando para a continuação do evento.

***

Nota:

O encontro final entre José Carlos e Paulo Marcos deveria ter esse simbolismo todo que teve, para realçar a sua importância. Então, vejamos: a leitura da parábola do “Credor Incompassivo”, por José Carlos, e ainda a do “Pai Nosso” – embutida no “Sermão da Montanha”, pelo evangelista Mateus -, lida por Paulo Marcos e, finalmente, incluindo agora, ao final, a sombra do caramanchão de maracujá, pois o verdadeiro perdão, talvez o maior bálsamo de que dispomos, é, na verdade, uma coisa muito difícil de ser realmente feita. Não basta ser apenas uma coisa falada, da “boca pra fora”, como se diz por aí: precisa brotar realmente do fundo da alma, liberando a pessoa de quem se tem mágoas, ressentimentos, ódio e, consequentemente, com isso, liberando também aquela a quem foram infligidas essas marcas, essas mágoas, ou seja, aquela que está perdoando. Quando a pessoa consegue realmente perdoar, aquela que a magoou passa a não ter mais nenhum poder sobre ela e, então, ela está agora de fato livre de quem a maltratou, humilhou etc.

Esse bálsamo poderoso do perdão, que é a redenção da alma, torna-a leve, livre e feliz, mas é realmente algo bastante difícil de ser feito com todo o coração. Muitos de nós não o conseguimos fazer. É realmente muito difícil de ser feito. Quando temos amor na alma, então isso nos ajuda muito.

Seres altamente evoluídos espiritualmente, que foram capazes de ir muito além disso, como ocorreu com Jesus Cristo e Estêvão – dentre outros – em relação a seus algozes, convidam-nos a meditar sobre a importância do perdão, não carregando essas mágoas, esses ressentimentos para outra dimensão da vida.

Vamos nos relembrar dessas passagens:

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. (Lc, 23:34)”

“E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu. (At,7:59-60)”

[1] Catarse: liberação de pensamentos e emoções que estavam reprimidos no inconsciente, seguindo-se alívio emocional.

[2] Maracujá (fruto da paixão): a simbologia da flor de maracujá foi assim relacionada: os três estigmas correspondendo aos três cravos que prenderam Cristo na cruz; as cinco anteras representavam as cinco chagas; as gavinhas eram os açoites usados para o martirizar;  por fim, no formato da flor era visível a imagem da coroa de espinhos levada por Cristo para o ato de crucificação. Os tons de roxo que colorem a flor simbolizam o sangue derramado por Jesus Cristo. 

Autor:
João Francisco de Paula Gomes – A Pousada de Elói –  1ª Ed. Uberaba: Ed. Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, 2015

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